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Fediverso ou Web Social?

Um experimento: usar o termo Web Social na comunicação com públicos mais amplos, reservando "Fediverso" para os contextos onde o detalhamento técnico é pertinente

Saskia Welch, colega do Fediverso que trabalha na NewsMast Foundation, publicou recentemente um post que me fez pensar bastante. No post The ‘normal’ response to the Social Web, ela levanta uma questão aparentemente simples, mas com implicações estratégicas relevantes para quem trabalha com a disseminação das redes descentralizadas: será que o termo “Fediverso” é o mais adequado para comunicar este espaço a públicos mais amplos? A pergunta da Saskia é direta:

Perguntar não ofende: poderíamos parar de usar o termo “Fediverso” com as pessoas que estão fora da nossa bolha tech?

Saskia Welch – The ‘normal’ response to the Social Web

Me parece uma boa provocação, e quero explorar essa ideia aqui.

O ponto de partida da Saskia é empírico. Ela perguntou a pessoas comuns o que elas entendem por “Web Social”, e as respostas foram reveladoras:

  • “Mídias sociais sem o domínio das grandes corporações”,
  • “Plataformas utilizadas para comunicação entre indivíduos e comunidades”,
  • “Um conceito para interconectar plataformas de mídias sociais”.

Ou seja, sem nunca ter ouvido falar de ActivityPub ou de instâncias federadas, as pessoas já intuem o que a Web Social pode ser. O termo ressoa. Ele comunica antes mesmo de qualquer explicação técnica.

O “Fediverso”, por outro lado, carrega uma história. O termo é uma combinação de “federação” e “universo”, e nasceu dentro de uma comunidade técnica específica, orgulhosa — e com razão — do que construiu. É um nome que faz sentido para quem vive dentro desse universo. Mas para quem está de fora, pode soar como jargão de nicho — e jargão de nicho afasta.

Estamos em um momento de transição da Internet. O Fediverso tem sido um desenvolvimento crítico na web aberta, num cenário ainda dominado por plataformas centralizadas. Organizações de notícias, ONGs, universidades e até governos têm experimentado as redes federadas, deslocando parcial ou completamente sua presença para fora do X. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) é uma das instituições que tem dado atenção especial a esse movimento, mantendo uma instância Mastodon e fazendo experimentos de compartilhamento de conteúdos na Web Social Aberta. Esse movimento está crescendo — e com ele, a necessidade de uma linguagem que alcance além da bolha técnica.

É nesse contexto que proponho um experimento: usar o termo Web Social na comunicação com públicos mais amplos, reservando “Fediverso” para os contextos onde o detalhamento técnico é pertinente. Não se trata de abandonar o termo — ele tem valor histórico e identitário para a comunidade. Trata-se de reconhecer que palavras são pontes, e que uma ponte precisa ser construída do lado de quem vai atravessá-la. Escolher como nomear esse espaço também é uma decisão política.

O experimento que proponho é modesto: nos próximos posts, nas próximas apresentações, nas próximas conversas com gestores e jornalistas, vou usar “Web Social” como porta de entrada — e observar o que acontece. Se as respostas que a Saskia coletou são um indício, há algo aí. As pessoas entendem o que está em jogo, mesmo sem conhecer os bastidores técnicos. Talvez seja essa a melhor notícia: a ideia já faz sentido. Só precisamos encontrar as palavras certas para apresentá-la.

Comentários são bem vindos. Como estou trabalhando diariamente no desafio de promover a Web Social no âmbito de instituições culturais, vou tentar relatar o o resultado do meu experimento por aqui.

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